26 de fevereiro de 2015

Contos

 

Prezada leitora e caro leitor, é com satisfação que lhes apresento outro Conto da minha autoria.
Vamos ao:



Quando jovem, aí com meus dezessete pra dezoito, conheci uma moça; quer dizer, não conheci propriamente, conheci de vista. Aliás, no bairro em que eu morava, não só eu, todos a conheciam, pois era uma moça muito bonita, bonita de fato, – bela de atrair e despertar desejo em qualquer um.
Mas ninguém, inclusive eu, tinha coragem de cortejá-la, pois ela passava a impressão de ser “nariz empinado” – entojada, e além de tudo era filha de gente abastada, - gente rica da alta sociedade que, pra começar, não morava numa casa, morava num palacete em um bairro esnobe de alta classe, o que desencorajava ainda mais, - deixava todos reticentes com receio até de falar com a moça.
Uma jovem encantadora; ainda com os seus dezessete era de beleza estonteante: moça alta, esbelta, de formas graciosas e formosa, mãos e pés delicados, pele clara, cabelos lisos, pretos e cortados curto pouco abaixo das orelhas; cintura fina enaltecendo os largos quadris e destacando o busto de seios proeminentes e proporcionais; pernas torneadas; rosto delicado, com grandes cílios ornando os olhos amendoados castanho-claros; sobrancelhas delineadas e bem cuidadas; nariz pequeno e bem conformado, face rosada, boca pequena de grossos e desenhados lábios vermelhos que emolduravam os seus permanentes sorrisos.  
Apesar disso tudo, e de ser uma jovem charmosa, elegante, simpática, de expressão cativante, ela nunca havia namorado, isso porque, – tempos depois me foi ratificado, ela não dava confiança a ninguém, não por ser uma entojada, não era nada disso, ela não dava confiança pela simples razão de, até então, nenhum rapaz ter lhe despertado interesse; era alguém que se preservava conscientemente e que não saía de “namorico” com esse ou com àquele simplesmente por namorar...
Até que um dia, eu soube, ela caiu arrebatada se apaixonando à primeira vista por um rapaz; todavia, lamentavelmente, pra ela, o rapaz era um “pobretão” – filho de gente humilde que não tinha nem aonde cair morto; com esse fato, é lógico, o coitado, apesar de ser um rapaz sério –de atitudes retas e comportamento elogiável, dedicado ao trabalho, muito esforçado e cumpridor das suas obrigações, não teve permissão dos pais dela para namorá-la; contudo, isso não foi o suficiente para fazê-los resignarem-se e aceitarem a vontade dos pais dela; atraídos um pelo outro, – enamorados com paixão latente, não desistiram e mesmo correndo o risco dos pais descobrirem os dois namoravam às escondidas, talvez na esperança das coisas se ajeitarem e os pais dela aceitarem, admitindo a paixão que os dois tinham um pelo outro, – eu imaginava.
O tempo passou, mudei do bairro, razão pela qual nunca mais a vi e nem tive notícias, porém o caso dela marcou: deixou-me cheio de curiosidade em saber o desenrolar e no que redundou aquele namoro insólito, fatídico e até certo ponto infeliz... Pondo-me, por vezes, a me perguntar: será que uma família rica e sofisticada como a dela, iria aceitar que ela se casasse com um jovem humilde como era ao caso daquele rapaz? Eu julgava que não, seria praticamente impossível, pois não seria uma coisa racional aceitar com facilidade, a diferença no status social entre eles já era, de cara, um grande empecilho. Mas, acabou ficando assim: não soube de mais nada...      
Muito tempo depois, num fim de tarde, eu estava sentado junto a uns amigos em uma mesa externa de um bar, “batendo papo”, “jogando conversa fora”, enfim, procurando desculpa pra tomar nossa “cervejinha”, quando, entretido, ouvindo um monte de bobagem, entre um gole e outro, vi passar, na outra calçada da rua, uma moça cuja figura e semelhança trouxe à lembrança aquela moça.
As lembranças com a visão da moça, aguçaram a minha curiosidade sobre o destino dela, com isso, perguntei a um dos amigos que lá comigo estava e que também havia conhecido a moça, o que era feito dela, afinal? 
Foi quando soube da sua persistência e perseverança em transformar os seus anseios e desejos em realidade; tanto ela como o rapaz passaram por maus-bocados ao namorarem às escondidas por longo tempo, porém não desistiram um do outro, principalmente ela que, a despeito da vontade dos seus pais, obedecendo cegamente a paixão, insistiu até conseguir o propósito de casar-se com seu amado, deixando claro, assim como acontece nas fábulas encantadas e nos contos de Fadas, que a relutância e a desaprovação dos seus pais não foram suficientes para destruir a força da paixão...   

*  * *   

Espero que o Conto lhes tenha agradado. Um abraço e tenham um excelente e proveitoso resto de semana.

___________________________________

30 comentários:

Bell disse...

Desde sempre muita gente colocou dinheiro e status sociais, a frente do amor...Muita gente não viveu seu amor por isso, e os ousados que tentaram ao menos tem uma história para contar.

Um lindo dia =)

Cidália Ferreira disse...

Que belíssimo texto!
parabéns.

Beijos e um bom fim de semana.

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Marina Fligueira disse...

¡Hola J-R!!!

Vaya que he enamorado de este cuento o historia que más me parece real, que ficción.

El amor cuando enraíza en el alma, es muy difícil de que alguien lo destruya. Y ese de los dos adolescente, debía estar muy bien enraizado.
Ha sido un inmenso placer pasar a leerte.
Te dejo mi gratitud y mi estima siempre.
Un abrazo y se muy muy feliz.

Elvira Carvalho disse...

Ainda bem que a moça perseverou até à realização do seu sonho.
Não havia muitas assim no século passado.
Um abraço e bom fim de semana

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Eu adorei esse conto Viviani e me faz lembrar uma história bem parecida entre meus familiares,só que o jovem era muito rico e ela de classe média,houve a rejeição dos familiares por parte da família dele,mas ele relutou,casaram-se e foram felizes durante 53 anos até o momento dele partir para outra morada.
bjs amigo.
Carmen Lúcia.

JAIRCLOPES disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arione Torres disse...

Oi amigo, vim lhe desejar uma excelente semana, abraços!!

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

Excelente Historia de un Amor que, como todos, no conoce de límites ni fronteras y que esta basado en una Pasión depositada en dos Corazones.
A pesar de la inconformidad de los padres de la chica y de la distinta clase social de ambos lo único que ha triunfado es el Gran sentimiento del Amor puro y cristalino.
Maravillosa Historia que me ha encantado.
Abraços.

Mariangela do Lago Vieira disse...

Como é lindo a força de uma paixão.
Ainda mais diante de tantas dificuldades!
Muito lindo seu conto JR!
Um grande abraço,
Mariangela

Pérola disse...

Uma narrativa cativante e fluida.

Beijinhos

Laura Santos disse...

Gostei da descrição pormenorizada da rapariga!
Quanto mais contrariado o amor é, mais forte se pode tornar. Um tema recorrente na literatura; o da sobrevivência dos amores contrariados, que, ou sucumbem de vez, ou vivem para sempre.
Como da simplicidade se faz um conto maravilhoso.
xx

CÉU disse...

Você escreve, lindamente e com muito pormenor.
Pois é, se o namoro é contrariado por alguém, nesse caso os pais dela, então, aí, é que pega fogo mesmo. Foi o, caso.
E que sejam sempre felizes!

Aquele abraço!

Edumanes disse...

Acho bem, não se deve dizer não a um amor verdadero. Se ela era rica e ele pobre, melhor ainda, ela contuava rica e ele menos pobre e os dois felezes para toda a vida!

Gostei do conto, como esse muitos outros aconteceram na realidade!

Um abraço caro amigo poeta,
Eduardo.

JAIRCLOPES disse...

Soneto-acróstico
Ao Amor

Jotaerre como Shakespeare moderno
Recria Romeu e Julieta, felizes agora
Com jeito, aborda o sentimento eterno
Onde um final deleitoso se comemora.

Nos anais dos romances impossíveis
Tal como na vida verdadeira acontece
Almas deparam laços intransponíveis
Ultrajadas, só lhes restará uma prece.

Mas as vezes não é perverso o destino
Colabora pois com o apaixonado casal
Ousam desafiar tortas regras, imagino
Namoram e casam e vivem bem afinal.

Talvez seja esse romance clandestino
Objeto de conclusão fantástica triunfal.

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite.
Que texto [ narrativa] emocionante e cativante. Uma feliz noite.
Beijos.

Andreia Morais disse...

Adorei o conto!

r: Muito, muito obrigada *.*

Araan disse...

Lindo conto!!!
beijos e obrigada pela visita

Guaraciaba Perides disse...

Tudo fica bem quando acaba bem...por isso não se deve influir sobre os sentimentos alheios...
Um abraço

Zilani Célia disse...

OI VIVIANI!
GOSTEI MUITO, AINDA MAIS QUE PASSA A MENSAGEM DE QUE O AMOR É E SEMPRE SERÁ MAIS FORTE QUE TUDO, QUANDO É VERDADEIRO É CLARO.
LINDO CONTO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Moacir Willmondes disse...

Adorável conto, Viviani.

Uma verdadeira ode ao poder inesgotável do amor, capaz de vencer barreiras que parecem intransponíveis num primeiro momento.

Um abraço!

Lu Nogfer disse...

Que linda história! Ainda bem que eles não desistiram dos sentimentos e lutaram pela felicidade de estarem juntos. Afinal o amor esta acima de tudo.
Amei.

Beijos.

ReltiH disse...

UN TEXTO MUY BIEN CREADO Y RELATADO.
UN ABRAZO

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Uma leitura agradável de uma história de vida muito comum em tempos passados.
Presentemente também ainda acontecem destas situações,mas os pais já não têm autoridade para impedir.

Marta Vinhais disse...

Um amor verdadeiro não desiste perante os obstáculos....
Há tanta gente infeliz por aí porque cedeu... e devemos ser felizes, não é?
Obrigada pela partilha e pela visita
Beijos e abraços
Marta

Clau disse...

Olá Viviani,
O conto é lindo!
O amor e a perseverança, sempre vencem os obstáculos que aparecem...
Bjs!

VILMA PIVA disse...

Olá Viviani, a força do amor superou a barreira social e os preconceitos, aliás o casal não fugiu para forçar o casamento como minha sogra nos contava que era assim que acontecia quando os pais não aprovavam as escolhas dos filhos. Parabéns por esse talento que Deus lhe deu!! Bjs.

Rute disse...

Parabéns Viviani, amei o conto
Bjs

Rosa Mattos disse...

Não basta apenas sentir amor, é preciso lutar por ele, como fizeram.

Muito bom o conto, Viviani.

Abraços/boa semana/

Samuel Balbinot disse...

Boa noite caro amigo..
quando podemos dar um passo a mais.. sair do desejo e da paixão e mergulhar no amor então estamos prontos para nos entregarmos.. abraços e até sempre

Vitor Chuva disse...

Olá, Viviani!

Nem sempre os amores proibidos acabam mal, nem sempre vencem as convenções sociais.Mas o estatuto social ainda tem muito peso,e verdade se diga, por vezes não tornam fácil a vida de quem o ousa "desrespeitar"...
Bonito texto, muito bem escrito.

Um abraço e bom fim de semana.
Vitor