7 de dezembro de 2012

Contos e Prosas - apresenta a criação de:


 O Cruzado

Há muito, muito tempo atrás existiu um jovem Cruzado muito forte e corajoso. Era um bom guerreiro, cumpridor de todas as ordens e missões que os seus superiores lhe ordenavam. Gostava de lutar e conquistar, era um bom companheiro de armas e nunca abandonava nenhum dos seus companheiros.
Após as missões cumpridas com bravura, os chefes davam-lhe algum tempo para descansar e para estar com a sua família. Porém, além de mulher e um filho, ele tinha uma amante muito fogosa. Assim, raramente estava com a esposa. Apesar de a amar muito, não sabia muito bem como havia de lhe demonstrar seus sentimentos. Não era muito conversador e nem sabia o que falar. Entendia-se melhor com ela debaixo dos lençóis, na cama. Durante o dia, tratava das suas terras, dos animais e reparava o que havia para fazer. Muito trabalho, só regressava ao castelo quando a noite caía. Para ele esta vida era muito monótona, estava mais à vontade no campo de batalha. Fora por esse motivo que se tornara Cruzado, não era pela Fé, mas antes para fugir aos trabalhos da quinta.
A sua esposa era uma mulher muito doce, muito jovem e muito crente em Deus, mas também era muito tímida e não sabia o que dizer ao seu marido. Fora educada para não falar muito, para não se expor para manter o recato, para ser uma boa mãe e boa esposa. Em suma, fora educada para o servir.
E de fato assim o era, muito ligada ao filho. Cuidava, alimentava, mimava e brincava com o menino. Ele apreciava as qualidades dela e gostava de ter mais jeito com a criança, mas como tinha tido uma infância muito dura por um pai muito severo e nunca recebera amor, tinha dificuldade em ser espontâneo e com as questões emocionais.
Quando o marido estava em casa, andava muito feliz e tentava estar o mais tempo possível com ele. Queria agradá-lo e quando ele ia trabalhar lá para fora, ela ia para a janela bordar ou coser alguma coisa, mas não o perdia de vista. Ao jantar, tinha sempre a refeição dele pronta a horas e a comida que ele mais gostava. Porém, ele parecia não apreciar nada daquilo e ela sentia-se triste. Mas quando faziam amor, ele era muito diferente, muito carinhoso, dedicado e só parava quando ela estava plenamente saciada. Ele era muito perspicaz e através do olhar que ela lhe mostrava, sabia que estava satisfeita. Era um ótimo amante.
Quando ele partia para as missões, ela sofria muito mas na despedida mostrava-se forte. Não queria que ele a visse chorar, não queria preocupa-lo. Ela era muito religiosa, temente a Deus e rezava muito pelo marido. Rezava para que nada de mal lhe acontecesse e para que estivesse sempre são e salvo. Como ela o amava…
No entanto, ele achava-a fria de sentimentos. Porque não chorava ela quando ele partia nas suas missões, interrogava-se ele. “Não me ama…”, concluía por fim. Tinha sido devido a suas incertezas, que arranjara uma amante. Esta, era completamente diferente da sua esposa, mais extrovertida, comunicativa, misteriosa, sensual, sedutora e muito ardente na cama. Faziam sexo a qualquer hora do dia e muitas vezes, mesmo durante a noite. Esta era mais insaciável e tomava muito a iniciativa. Não era necessário que chegasse a noite e variavam muito as posições. Isto agradava-lhe, o sexo com ela era absolutamente fenomenal, selvagem! Ela satisfazia todos os seus caprichos. Por isso, ele ia-se embora de casa mais cedo e de forma imprevisível para ir ter com a amante… Mas não a amava, tudo o que sentia por ela era um intenso desejo sexual. Ela gostava dele, mas também não o amava, embora ele acreditasse que sim.
Certo dia, no regresso ao acampamento e após deixar a amante sentiu-se vazio interiormente. E foi nesse mesmo dia que a sua vida deu uma volta de 180º. Naquela batalha os Cruzados foram surpreendidos por um inimigo poderoso, com um vasto exército e foi um autêntico massacre. Ele foi um dos poucos que sobreviveram e ao perceber isso, começou a pensar na sua vida e questionou-se acerca da sua existência humana. Desesperado e a chorar como uma criança, espetou a espada no chão e caiu de joelhos, olhando para o céu negro de braços abertos e gritou para Deus a plenos pulmões: “Porquê???”
Chovia torrencialmente e subitamente ocorreu um enorme trovão e Deus falou com ele. Disse-lhe: “sobreviveste porque foi-te dada uma segunda oportunidade para cumprires a tua missão terrena. Tem fé! Escuta a tua voz interior e muda de vida.” E Deus calou-se.
Ele pensou na vida que tinha tido até àquele dia. Pensou na família, na sua maravilhosa e linda esposa, no filho que tinha os olhos da sua mulher mas que era tão parecido com ele. E pensou na sua amante, na sua vida de Cruzado. Que sentido fazia aquilo tudo? Que deveria fazer para mudar a sua vida?? Então, no seu espírito surgiu a Luz e ele despertou para a sua verdadeira missão. Agarrou na sua espada e montando o cavalo foi para casa, para junto da sua família. Mulher e filho correram para ele para acolherem-no de braços abertos. Finalmente sentiu-se amado pela sua esposa, sentiu-se feliz e compreendeu que estava vivo, como se tivesse renascido das cinzas como uma Fênix. Afinal, o que é uma vida sem Fé e sem família?
“Um vazio”, concluiu cheio de Fé em Deus e olhando para o céu.

Cris Henriques
Direitos Autorais Reservados ®
* Clique no banner e conheça o blog da autora.
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23 comentários:

Dorli disse...

Olá poetisa Cris
Seu conto é digno de aplausos e reverência.
Fiquei abestalhada com tamanha criatividade e coerência que lhe é peculiar.
Um conto de louvor!
Um beijo
Lua Singular

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom dia meu peixinho de água doce!!!!!!
vejo que CONTOS E PROSAS está muito bom,vai te dar um lucro grandioso na literatura.Como te conheço,sei que que crias mil ideias em cima dos amigos que escreve...
Vc está de parabéns pela criatividade de criar esse cantinho que cresce a cada dia.
Mas deixa eu te fazer mais uma vez um convite.
Essa é a terceira vez que venho te buscar pra tomar um café comigo no meu cantinho.Se não fores perderás de sentar na minha frente,rsrsrsrsrsrsrsrs
Bjs de final de semana !!!!!!

*Escritora de Artes* disse...

Olá Cris,

Um conto instigante e bem escrito, parabéns!

Abçs

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Olá Cris!Como é bom renascer das cinzas e voltar ao convívio familiar.
Lindo conto!Visitarei seu blog com certeza!

Bjs.
Carmen Lúcia

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

Un cuento asombroso y lleno de belleza, con ese ambiente enigmático de los cruzados templarios.
Abraços.

Patricia Galis disse...

Adorei Cris meus parabéns um dos seus melhores escritos.

karol disse...

ola da uma visitadinha no meu blog ? http://kabarthmann.blogspot.com.br/ se gostar posta um comentário ? rsrs beijos

POESIAS SENSUAIS E CONTOS disse...

Vindo aqui contemplar a beleza em poesia e desejar-te um belo fim de semana

MARIA MACHADO disse...

Olá Cris! Uma criatividade excelente, é um belo conto! Parabéns!
Boa tarde...Abraços
Maria Machado

Verinha Portella disse...

OLÀ!

Estou simplesmente deslumbrada...

Parabens e aplausos...de pé!!!

vera portella

elvira carvalho disse...

Às vezes é necessário o encontro com a morte para olharmos para o nosso interior e vermos o vazio que nele existe. Estejamos nós numa batalha nium emprego ou em casa.
Gostei.
Um abraço

Nádia Santos disse...

Também adorei seu conto Cris. Tantos como o seu personagem tem uma família maravilhosa e não dão valor... Mas Deus sempre nos dá a oportunidade para corrigir nossos erros. Lindo o final. Um bj pra ti e muito sucesso.

Clau disse...

Oi Cris :)
Eu adorei seu conto.Bem escrito e reflexivo.
Gostei muito dessa parte que Deus fala com ele:
'Tem fé.Escuta a tua voz interior e muda de vida.'
E ainda bem que ele obedeceu...
Bjs!

Lu Nogfer disse...

Por vezes recebemos de Deus uma segunda chance, nem sempre para corrigir o incorrigível mas para tentarmos acertar os novos passos.

Parabens a autora pela bela participaçao!
Gostei muito!

Abraços!

Cris Henriques disse...

Olá a todos os que gostaram e que comentam o conto.
Visitarei a todos vocês nos vossos blogs atempadamente e comentarei, respondendo.
Muito obrigada a todos e principalmente ao amigo J. R. Viviani.

Abraços,

Cris Henriques

http://oqueomeucoracaodiz.blogspot.com

VIVENDO A VIDA ASSIM... disse...

Belo conto Cris. Muito bem escrito! Beijos, Suzana. (www.sfersete.blogspot.com.br - VIVENDO A VIDA ASSIMA...)

Bento Sales disse...

Olá, amiga Cris!
Seu conto está magnífico.
Com epílogo surpreendente e feliz, melhor ainda.
Você tem boa narrativa e ótima linguagem, além de exímio talento prosaico e gramática admirável, ingredientes que fizeram conto de grande valor literário.
Parabéns pela excelente participação neste evento oportuno e democrático, planejado e organizado pelo bom amigo Viviani!

Abraços.

Lindalva disse...

Andei a folhear todas as páginas e me deletei com maravilhosos escritos. Parabéns J.R. por esta iniciativa. Louvável. E parabéns a todos os escrevinhadores de palavras que por aqui deixam pegadas profundas. Beijos no coração de todos.

Janete Sales -Dany disse...

OLá Amigo J.R.!

Outro conto surpreendente!
Quantas pessoas as vezes não valorizam o lar!?

Este conto nos faz refletir e muito!

Aplausos!

Um grande abraço!

Cesar S. Farias disse...

Um conto narrado de forma cativante. Uma bela reflexão sobre a vida à dois.

VILMA PIVA disse...

Olá Cris, maravilhoso conto da era medieval. Adoro !!!Parabéns pela criatividade!Beijos!!

Bicho do Mato disse...

Parabéns à Cris pelo conto lindo e ao Viviani pelo evento. Abraços do Bicho do Mato.

Jacques disse...

Olá, Cris.
Eu já havia lido este belo conto em seu blog, parabéns.
Abraço.