21 de dezembro de 2012

Contos e Prosas - apresenta a criação de:


Um homem de valor!


Alfredo um homem de 30 anos de idade, casado e dono de uma mercearia localizada num bairro de classe média, vivia uma vida muito atribulada, com muita dificuldade ele conseguia completar todas as obrigações do dia a dia! Todas as manhãs ele abria a mercearia, atendia os clientes, arrumava as prateleiras e ia ao banco fazer os depósitos do dinheiro arrecadado. Não tinha empregados e por causa disto a vida dele era realmente muito atribulada!
Um dia Alfredo estava abrindo a mercearia quando um moço chegou e disse:
— Eu estou desempregado, tenho dois filhos para criar e nós estamos passando dificuldades. Estou vendendo estes panos de pratos que foram confeccionados pela minha esposa, aceita dar uma olhadinha?
— E se o senhor gostar eu posso até deixá-los em consignação, isto me ajudaria muito nesta hora em que eu estou passando tanta necessidade!
Alfredo simplesmente balançou a cabeça dizendo um não e voltou para a sua vida sobrecarregada, foi cuidar dos seus próprios negócios!
Afinal ele era um comerciante bem sucedido e não precisava acrescentar mais mercadorias no seu estoque. Panos de pratos para ele não interessava de jeito nenhum!
E todos os dias o rapaz dos panos de pratos estava naquela rua perto da mercearia de Alfredo e para as pessoas que caminhavam na rua ele também oferecia os panos de pratos decorados! Por causa disto Alfredo começou a ficar incomodado, porque frequentemente a mesma situação se repetia: A pergunta do moço para Alfredo era sempre a mesma.
— Moço compra um  pano de prato para me ajudar?
E todas às vezes Alfredo franzia a testa e balançava a cabeça negando e demonstrando repulsa!
Num dia chuvoso, Alfredo ficou observando o moço de longe, notou que ele por um dia inteiro não havia vendido sequer um único pano de prato!
No fim da tarde o moço estava sentado na calçada, com o olhar triste e distante! Nem se importava com a chuva fina que caia sobre o seu rosto, os pingos estavam se misturando com as lágrimas de um dia perdido!
Alfredo sorriu pensando: “Agora ele desiste e vai procurar outro local para resolver a sua vida! Eu só quero trabalhar em paz!”.
Quem sabe no outro dia Alfredo não teria mais que conviver com aquela presença inoportuna? E finalmente estaria liberto daquele moço que tanto o incomodava e teimava em lhe vender panos de prato!
No mesmo dia, quando Alfredo se preparava para fechar o seu estabelecimento, pois já estava anoitecendo e as ruas estavam ficando desertas, foi surpreendido por dois elementos encapuzados que lhe deram voz de assalto!
Naquele momento Alfredo viu um filme passando na sua cabeça, pensou na esposa, nos filhos, na infância e ficou rezando e torcendo para que aquele pesadelo acabasse logo! Porém aqueles bandidos eram agressivos e um deles deu uma coronhada na cabeça de Alfredo que desmaiou!
Alfredo só abriu os olhos no hospital, a cabeça estava toda enfaixada, os filhos e a esposa a sua volta, todos chorando e ao mesmo tempo sorrindo, ele havia ficado em coma por uma semana! Percebeu então a gravidade do acontecido!
A esposa de Alfredo começou a relatar o que realmente ocorreu: Disse que a desgraça não tinha sido maior, graças a um moço que vendia panos de pratos na rua da mercearia. No momento trágico ele utilizou um orelhão e acionou a policia! Os bandidos fugiram sem levar nada e Alfredo foi rapidamente socorrido; naquele instante ele estava correndo risco de vida e aquele telefonema do moço foi crucial para que ele sobrevivesse!
Depois de algumas semanas de repouso e com a saúde restabelecida, Alfredo abriu a mercearia, colocou alguns dispositivos de segurança no estabelecimento e depois de tudo isto ficou mais precavido! Porém algo diferente ele notou. Onde estava o moço dos panos de pratos?
Todos os dias Alfredo aguardava impacientemente por ele, queria pedir desculpa e agradecer a ajuda, estava envergonhado das vezes que havia tratado o moço com tanto desprezo! Dias se passaram e o vendedor de panos de pratos nunca mais apareceu!
Numa manhã, a esposa de Alfredo falou algo que o deixou pensativo:
— Alfredo eu me esqueci de lhe dar isto!
E colocou nas mãos de Alfredo um pano de prato sujo de barro!
E a mulher continuou falando:
— Naquele dia da tragédia o vendedor deixou cair. Deve ter perdido na hora em que correu para um orelhão para acionar a polícia! Se por acaso ele aparecer devolva este pano de prato para o moço, é o ganha pão dele! Um trabalho muito bonito!  Amor veja a frase que está pintada no pano!
E Alfredo abriu o pano de prato e ali estava escrito:

“Não tentes ser bem sucedido, tenta antes ser um homem de valor.”

 Albert Einstein.
A esposa de Alfredo não entendeu porque o marido naquele momento começou a chorar. E nem mesmo compreendeu porque ele pendurou aquele pano de prato sujo, aberto na parede do estabelecimento e nunca mais o tirou dali!
Ironia do destino, aquela frase no pano de prato parecia que havia sido preparada de propósito para ele!
Alfredo se achava um homem bem sucedido e por isto acabou esquecendo de outros valores, como o de praticar o bem ao próximo! E justo aquele moço que ele havia desprezado tanto, foi a pessoa que salvou a sua vida!
Alfredo sabia muito bem que era tarde demais para pedir desculpas e dizer um muito obrigado! Não haveria mais nenhuma oportunidade para isto!
As marcas de barro e aquela frase escrita naquele pano, até hoje  fazem Alfredo se lembrar de que um dia havia conhecido um homem de valor!
E este homem nunca mais voltou!


Janete Sales
Direitos Autorais Reservados ®

 * Clique na foto e conheça o blog da autora.
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35 comentários:

Sónia M. disse...

Quanta verdade há neste conto!
Gostei muito de ler. Felicito a autora.

Deixo o meu abraço
Sónia

Dorli disse...

Meu Deus!
que conto lindo, não queria que ele terminasse e, é por isso que eu digo: não menospreze e nem ignore um ser humano, você não sabe se vai precisar dele um dia.
O Mundo parece grande, mas é pequeno diante dos olhos de Deus, que tudo vê.
Parabéns Janete, com louvor.
Lua Singular

Janete Sales (Dany) disse...

Bom dia JR. Viviani!

Amigo quero lhe dar os parabéns!
Venho acompanhando cada conto aqui postado, e fiquei muito feliz em estar entre escritores(as) de tanto talento!

O modo na qual cada conto foi demonstrado aqui mostrou a todos nós a pessoa amiga, de respeito e da paz que você é!

Gostei muito amigo!

Muito obrigdo de coração!

Janete Sales (Dany) disse...

OLá Sonia e Dorli!
Bom dia!

Agradeço a presença das amigas no meu conto!
Estou muito feliz que vocês apreciaram!
Visitei os seus Blogs!

Um ótimo dia a todas vocês!
Beijos

Zilani Célia disse...

OI JANETE!
TEU CONTO É LINDO, ME EMOCIONOU, PRINCIPALMENTE PELA MENSAGEM QUE TRÁS.
NÃO TE CONHECIA AINDA, VOU ATÉ TEU BLOG PARA LER, ESTAREI AQUI TAMBÉM DIAS 04 E 05,GRAÇAS A ESTA BELA INICIATIVA DE NOSSO AMIGO "VIVIANI" QUE COM ISTO PROPORCIONOU ESTES ENCONTROS.
PARABÉNS.
ABRÇS
http zilanicelia.blogspot.com.br/ClickAQUI://

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

Un verdadero lujo poder leer ese cuento lleno de realidad y certezas.
Um abraço.

*Escritora de Artes* disse...

Olá Janete,

Menina fiquei emocionada, lindo seu conto!

Parabéns pela participação e pela sua sensibilidade..

Abçs

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Lindo demais Dany!Um conto emocionante!Devemos realmente deixar de pensarmos somente em nós e darmos mais atenção àqueles que necessitam às vezes até uma palavra amiga.
Parabéns!

Feliz Natal à você e à todos seus familiares.
Bjs.
Carmen Lúcia-mamaymilu.blogspot.com

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Desculpa,houve um erro de digitação.
Meu blog é mamymilu.blogspot.com

Carmen Lúcia

Célia Rangel disse...

Emocionante! Prendeu-me do início ao fim. Crucialmente verídico, pois, quando estamos bem, dificilmente lembramo-nos do próximo em suas atribulações e dificuldades! Parabéns!
Abraço, Célia.

Ghost e Bindi disse...

O que é mais importante, ter ou ser? Passamos uma vida toda correndo atrás de posses e conquistas, mas com a alma vazia, ainda nos falta muito para viver com a verdadeira fraternidade que deveríamos ter para com o pròximo, exaltamos valores materias e esquecemos dos nossos valores do coração. Um texto de um significado luminoso para todos nós, Janete...parabéns.

Carinhosamente

Ghost e Bindi

Tunin disse...

Que grata participação num potente e atual conto que nos leva à realidade!
Parabéns!
Feliz natal!

LORENA LEITTE disse...

fiquei tão maravilhada com o conto !!! adorei ...
é muito bom , matar a saudade do seu blog tão único e sublime.
abraços

Janete Sales (Dany) disse...

Boa tarde Zilani, Pedro Luiz, Escritora de Artes, Carmen Lucia, Célia Rangel, Ghost e Bindi, Tunin e Lorena Leite...muito obrigado amigos por deixarem aqui um comentário sobre o meu conto, fico feliz que vocês apreciaram, estarei visitando o Blog de cada um, com prazer!

Agradeço novamente ao JR. Viviani que está me proporcionando este momento...aproximando os blogs, os que escrevem com o coração...enfim de certa forma nos aproximou uns dos outros...e isto é muito bom, porque num mundo como o de hoje em que alguns plantam a discórdia...o nosso querido amigo JR. Viviani faz o contrário UNE as pessoas!
Obrigado de coração...estou muito feliz em estar participando deste lindo evento!


Um abraço a todos!

Lu Nogfer disse...

Finalmente amiga Janete, tirei um tempo para ler e prestar atençao em seu belissimo conto!

É é o que acontece tanto por aí, nao é mesmo?!
Algumas pessoas sao egoistas e so olham para proprio umbigo. Nunca pensam nas dificuldades que um dia ele tambem poderia passar! Esquecem de praticar o bem sem conseguir se por no lugar do outro. E aí, ironicamente ou nao a vida vem lhe ensinar em cima dos proprios rastros!

Aplausos para voce, minha querida!
Grande reflexao para o dia a dia.
Parabens!

Beijos com carinho!



Sissym disse...

Aproveito o momento para deixar uma mensagem:

Eu desejo que nossos dias sejam iluminados,
Que possamos sentir a PAZ por onde caminharmos.
Abracemos todos que amamos.
Sejamos sabios o suficiente para construir pontes.
Vamos confraternizar!

Boas Festas!

Feliz Natal, Feliz 2013.

Beijos

Janete Sales (Dany) disse...

OLá Lugfer!

Amiga eu voltei para ver o seu comentário...obrigada querida!

E aproveitei e visitei o seu lindo Blog e passei a segui-lo, por causa deste belo evento passei a seguir belos Blogs!!!

Agradeço de coração amiga!

Um abraço a todos!

Janete Sales (Dany) disse...

OLá Lugfer!

Amiga eu voltei para ver o seu comentário...obrigada querida!

E aproveitei e visitei o seu lindo Blog e passei a segui-lo, por causa deste belo evento passei a seguir belos Blogs!!!

Agradeço de coração amiga!

Um abraço a todos!

Janete Sales (Dany) disse...

OLá Sissym!

Aproveito também o momento para desejar a todos que passarem por aqui um Natal iluminado com a presença do Menino Jesus!

Que 2013 seja um ano de muita felicidade em suas vidas, que aja muito amor no coração de todos vocês, que os seus caminhos os levem a realizar os seus desejos mais sonhados...muita vida neste Ano Novo que se inicia!

Um grande abraço a todos vocês e beijos no coração!

Janete Sales - Dany

MARIA MACHADO disse...

Boa tarde Janete...Prazer te conhecer,acabei de ler um homem de valor, e fiquei maravilhada com o tamanho da grandeza de seu conto.
Uma magnífica história, muito bem contada, amei, vou passar no teu blog para conhecer seus trabalhos.
Você escreve divinamente bem, parabéns!
Um abraço
Maria Machado

POR TODA MINHA VIDA disse...

Janete ou Dany Meus parabéns pelo seu belo conto forte e verdadeiro ...Um abraço Pedro Pugliese

Nádia Santos disse...

É tão triste quando as pessoas, só por terem um pouco mais na vida, desprezam o irmão, que não foi tão favorecido. Mas a vida ensina, como ensinou a Alfredo. Parabéns querida Janete, seu conto é lindíssimo com uma bela lição de vida. Bjus e feliz natal.

Mary disse...

Oi Janete!

Infelizmente por existir muitos Alfredos por aí.

Pessoas arrogantes e preconceituosa que por terem uma condição financeira estáveis sempre acham que nunca vão precisar das outras pessoas.
Porém seu conto mostra a realidade. Lembrei dessa frase

"NINGUÉM É TÃO POBRE QUE NÃO POSSA DOAR NEM TÃO RICO QUE NÃO POSSA RECEBER!!"


Parabéns pelo lindo conto!

Evanir disse...

Janete!!
Foi com profunda emoção que li seu conto nem poderia me dirigir a você
dizendo conto.
Na verdade é uma triste realidade da arrogância existente em muitos que se julgam acima do bem e do mal.
Eu acredito piamente o vendedor de pratos por pior que fosse sua vida era mais feliz que o Alfredo.
A vida bem sucedida do comerciante
deixou sem visão da humildade do amor maior.
Quem sabe o final o pobre vendedor de panos de prato não era o seu anjo da guarda que ele tanto ironizou .
Amiga ou quem sabe o Alfredo não seria parente de um patrão que eu tive a muitos anos atrás .
Parabéns minha amiga nota mil para você merecidamente.]
Um feliz Natal paz e luz de Jesus,Evanir.

Bento Sales disse...

Olá, amiga Janete!
Alfredo, a princípio, não justificou o sentido de seu nome, que é pacificador, nobre, mas, depois, despertou de seu egoísmo e avareza, típicas dos comerciantes. Por mais que sejamos bem-sucedidos social e economicamente, sempre iremos precisar de nossos semelhantes, assim como muitos precisam de nós. O mundo é tão grande, por isso há espaço para cada um de nós vivermos e trabalharmos. O Sol nasce para todos.
Amiga, teu conto contém uma bonita história com uma mensagem oportuna e importante para vida moderna.
Deste uma preciosa contribuição para este evento genial de nosso grande amigo Viviani.

Abraços a ambos do amigo de sempre.

Valter Cardoso disse...

Olá.
Adorei o blog, já o estou seguinte e acabei de o incluir no meu Seguidores de Blogs (http://seguidoresdeblogs.blogspot.com.br/2012/12/vendedor-de-ilusao.html), assim que possível nos faça uma visita.
Ah, deixei um verso bíblico para sua reflexão!
Abraços.

Dídimo Gusmão disse...

Janete,

Seu conto é uma lição! Se nós olharmos ao nosso redor e até mesmo para a nossa prórpia vida. Veremos que temos sim, um ou outro tipo de preconceito com as pessoas que possuem menos.
Na realidade, buscamos sempre a perfeição. Mas, ninguém é perfeito. Somos falhos! Somos seres humanos.
Adorei o seu texto!
Abraços literários.

http://didimogusmao.blogspot.com.br/

Luzia Medeiros disse...

Querido J.R. estou passando para lhe desejar um Natal e um ano novo cheio de luz divina, muito amor, muitas alegrias em 2013. E que Deus ilumine a vida de todos que passam por aqui, que deixam um pouco de amor em forma de versos, contos, escritos maravilhosos.

Beijos.

VILMA PIVA disse...

Ola Janete, querida,
Que bela reflexão o seu conto nos traz. Belo, belo!!
É preciso que tenhamos bons valores dentro da gente, para errar menos!
Feliz Natal!!
Beijos!

elvira carvalho disse...

Um conto que é uma triste realidade na atualidade. Quantas vezes passamos embrenhados nos nossos problemas jundo de alguém que nos solicita ajuda e nem sequer olhamos?
Quantas vezes até apressamos o passo incomodados com a pretensão de quem nos aborda? A humanidade vive embrenhada no denso nevoeiro do egoismo e esqueceu por completo o mandamento novo do Senhor. "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei" Quem ama cuida. Quem ama ajuda. Quem ama não abandona, não maltrata.
Gostei imenso do seu conto.
Um abraço e tenha um Santo e Feliz Natal

Cesar S. Farias disse...

Amanhã pode ser tarde para mudar o que se pode mudar hoje. O conto remete-nos à isso, Janete.

Janete Sales (Dany) disse...

Obrigado pela presença amigos:
Maria Machado, Pedro Plugiese, Nadia Santos, Mary, Evanir, Bento Sales, Valter Cardoso, Dídimo Gusmão, Luzia Medeiros, Vilma Paiva, Elvira Carvalho, Cesar S. Farias!

Desejo a todos um Feliz 2013!

Um grande abraço!

Beijos

Janete Sales (Dany) disse...

Bom JR Viviani!

Meus parabéns pelo evento!
Quero agradecer pela oportunidade de estar entre grande escritores!

Muito obrigado amigo, que Deus te abençoe sempre!

Um Feliz 2013!

Um grande abraço!!!

Bia Hain disse...

Janete, sem dúvida um conto muito apropriado para a época de Natal. Um coração valoroso vale muito mais do que bens materiais, e mais, nunca sabemos quando iremos precisar do outro. Um abraço!

Isa Lisboa disse...

Resta esperar que o moço tenha conseguido vender todos os seus panos! E que tenha tocado mais vidas, como a de Alfredo!